As Feiras Comerciais de Insumos Agrícolas (FIAs) são um mecanismo para dar às famílias camponesas pobres e vulneráveis o acesso a insumos agrícolas, em particular sementes certificadas, na sequência de uma seca ou cheia que tenha destruído a sua capacidade de recomeçarem a produção agrícola na campanha seguinte. Em Moçambique, as FIAs são consideradas um mecanismo de resposta de emergência e por isso não podem estritamente ser designadas como protecção social, embora elas forneçam um modelo que poderia ser implementado como protecção social. O formato básico é o de entregar aos beneficiários uma senha de um certo valor monetário que pode ser usada para comprar insumos agrícolas numa feira de insumos para a qual tenham sido convidados comerciantes para uma data e local estabelecidos. A feira dura tipicamente um dia, mas proporciona uma praça comercial à qual pode comparecer qualquer número de compradores e vendedores de insumos, produtos agrícolas e bens de consumo, além dos comerciantes registados para poderem receber senhas dos beneficiários.
As FIAs em Moçambique são organizadas pelo Ministério da agricultura (MINAG) e pelas direcções Provinciais e Distritais de Agricultura em parceria com a FAO. As FIAs piloto foram experimentadas em 2001, a seguir às severas cheias da campanha agrícola 2000-01, e tem sido subsequentemente organizadas todos os anos desde 2003. Entre 2003 e 2007, foram organizadas 323 feiras no total cobrindo 266.030 beneficiários, principalmente nas sete províncias de Maputo, Gaza, Inhambane, Tete, Manica, Sofala e Cabo Delgado. O custo orçamental total das FIAs em Moçambique neste período foi de US$3.3 milhões. O valor da senha transferido aos beneficiários era de 180 Mtn (US$7) em 2003-05, subindo para 190 Mtn (US$8) e depois para 300 Mtn (US$12), em 2006, e 400 Mtn (US$15) em 2007. Com vista a dar um sentido de propriedade pessoal, espera-se que os beneficiários paguem por elas um valor simbólico em troca (20 Mtn).
